God Save Gil Brother - A Triste História de Away

Jaime Gil da Costa - o lendario Gil Brother Away de Petrópolis - conhecido por milhões e amado por muitos, sumiu durante um bom tempo mas foi encontrado pela redação da revista Trip na sua cidade natal. 

Gil Brother não vive da renda que sua fama trouxe, pelo contrario, Gil Brother está comendo do pão que o diabo amassou! Veja o desabafo desse que se tornou icone de uma geração e garantiu muitas risadas durante longos anos:


Mesmo depois de seis anos na TV, e zilhões de views no youtube, não há um email, um assessor, um telefone, um endereço, um mísero amigo para achá-lo. A única forma de descobrir qualquer coisa sobre Gil Brother é subir a Serra da Estrela, dirigir até Petrópolis e perguntar na rua por pistas do ilustre filho da cidade. Foi assim que chegamos à frente de uma humilde casa no bairro do Itamarati e gritamos: Awayyyy! Que na hora foi respondido com um estridente, e inconfundível, “Awayyyy” do lado de lá.


Conhecidos de Gil Brother desde a infância, os caras do Hermes e Renato, hoje conhecidos por Banana Mecanica, convidaram o então lavador de carros e dançarino de rua de Petrópolis para uma participação pequena em um vídeo para a MTV. O look mezzo mendigo, mezzo astro do reggae funcionou. Tanto que logo foi se tornando parte da trupe. No ano seguinte já gastava boa parte do ano morando em São Paulo, com os moleques do Hermes e Renato, em uma casa no bairro de Perdizes. Hoje, acomodado em um surrado sofá, cercado por quatro paredes forradas de capas de disco e recortes de revista de astros do soul, funk, rock, surfistas e do Papa João Paulo II, ele nos recebe empolgadíssimo. A casa é sua única posse, herança da mãe falecida há muitos anos.


“Eu era tratado como lixo! Pior que um cachorro!”, ele jura. E emenda horas de causos e mágoas que explicam o motivo que, depois de seis anos, o fez desistir. “Cansei de humilhação. Eu estava trabalhando como clandestino, não tinha contrato, cartão de banco, nem contracheque, trabalhava por merreca”. E conta causos sobre como precisava comer na cozinha, dormir em um quarto de empregada fétido, de como o isolavam na mesa do almoço e faz um longo discurso sobre quando o excluíram do plano de saúde que os caras do Hermes e Renato fizeram para o grupo. “Diziam que eu tinha que usar o SUS mesmo”, alegando que, no fim das contas, era vítima de preconceito.


Mas diga uma coisa, Gil: você não ganhava nada durantes esses seis anos? “Só me davam o dinheiro da passagem e uns panos velhos”. E você nunca pediu dinheiro, nunca falou sobre isso com o pessoal? “Eu esperava que uma hora eu fosse me dar bem, que eles iam me dar algum, entendeu? E tem mais! Se eu pedisse dinheiro eu podia me dar mal! Eles iam encher minha mochila de drogas e me jogar do alto do prédio da MTV”, acusa sem medir as palavras... E agora, Gil, você não está processando eles, cobrar na justiça o que te devem? Ele garante: “Não! Deixa pra lá. Não estou a fim de me meter com justiça, Deus vai dar a eles o que merecem. Aqui se faz, aqui se paga. Eu não ligo pra dinheiro, tô numa boa”. Uma história bem mal contada em uma nada bem-sucedida combinação de malandragem e ingenuidade.


A outra versão da história

Filipinho, ou Filipe Fagundes Torres (que deu vida ao paulistaníssimo de imensas fossas nasais, o Boça ), foi quem primeiro propôs a Gil Brother uma participação no programa. E se lembra de quando conheceu o street star, muito antes da fama: “O Gil e eu fomos criados no mesmo bairro, ele era amigo de infância do meu pai, e isso já vinha desde o meu avô que era bananeiro, e o Gil sempre pegava umas bananas com ele”, conta. E dá sua versão sobre o que aconteceu na confusa relação profissional entre eles. “Era um amigo, então nunca tivemos um pé atrás com o Gil, por isso nunca pensamos em oficializar nada. Mas ele sempre recebia.” E, tristemente conclui: “Pra mim o que fica dessa história é um sentimento de ingratidão da parte dele, e de pena também... Mas eu tenho o coração aberto e sei perdoar.”


Outro que foi escutado pela Trip, Fausto Fanti (que interpretava o “Renato” e memoráveis personagens como Cláudio Ricardo e o Padre Gato) fica chateado de ter que falar sobre isso. Prefere não encontrar a reportagem ao vivo – nem soltar veneno contra Gil Brother. “O Gil é um cara muito parecido com a gente, temos uma afinidade muito grande. Para mim é muito doloroso saber que ele tá movendo um processo contra a gente. A gente fazia o que podia e o Gil era tratado como um de nós. Acho que ele poderia até ter vindo com a gente para a Record”.

Todos confirmam outra história que Gil conta. De quando os rapazes do Hermes e Renato foram a Petrópolis e bateram na porta dele, surpresos com sua súbita “fuga” e pediram que voltasse. Gil os mandou embora, se dizendo cansado deles. “Eu abandonei eles e agora eles não tem nada! A gente estava pronto pra filmar nos EUA, no estado do Oregon! Na Lousiana! Pensivânia e Nova York...”, ele conta em um misto de raiva e prazer, “hoje ele não são mais nada!”


Na verdade nunca houve um longa a ser filmado nos EUA. E na verdade hoje eles estão na Record, parte do elenco do programa Legendários, de Marcos Mion. Certamente ganham mais do que nos tempos de MTV, e admitem terem muito mais estrutura. Também trocaram o nome para um escolhido pelo público. De Hermes e Renato se tornaram Banana Mecânica. Mas algo se perdeu no caminho além da presença do Away de Petrópolis. Por trás de uma estranha, e desncessária, cortina de fantasias, Gil Brother acaba revelando uma mágoa verdadeira com o que aconteceu. Inventado, ou apenas baseado em fatos reais, é um trauma que Gil Brother resolveu assumir como parte fundamental de sua vida. Seja lá qual for o resultado do processo (a ser decidido nos próximos meses) restam pouquíssimas certezas nessa história sem graça de um dos mais originais e hilariantes grupos de humor no Brasil. A maior delas: a de que o saldo de tudo isso foi o desperdício de um grande talento e de uma amizade muito peculiar. Como tudo neles.




Comovente! Veja Reportagem Inteira no site da revista TRIP
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About Ceroula Blog

Empreendedor na Hardskull Clothing; marketeiro por formação; metido a designer, videomaker e fotógrafo; louco por café e apaixonado por gatos. Conheça meu trabalho em www.mullernascimento.com